Sobre o falecimento de um querido amigo, o professor Klaus Dieter Karl.
Em Natal, há cerca de 12 anos, após um ano de estudos particulares de alemão com o professor Jimmy (Andréas Münz), conhecia o professor Klaus na “Cultura Alemã” (escola de língua alemã), localizada na rua Princesa Isabel. Ambos são professores de alemão, mas Jimmy passaria a residir na Alemanha e, assim, apresentou-me ao seu amigo Klaus para que eu pudesse continuar os meus estudos. A partir desse momento, empreendi um curso intensivo e aprendi mais do que alemão, comecei a tomar o conhecimento vivo da amizade que construímos reciprocamente. Por motivos financeiros, o curso durou pouco, mas continuei a aprender algumas vivências que apenas poderiam ser aprendidas com o “velho Klaus”, como o seu filho Julien e eu gostávamos de chamá-lo em tom jocoso.
Todos sabem que ele era uma pessoa controvertida. Quando chegou em Natal, após viver em São Paulo e em Salvador, ele já havia experimentado de tudo, mas sempre queria algo mais. Participou da vida de Natal, principalmente da cidade velha, da Ribeira e do que é conhecido atualmente por “beco da lama”. Eu o acompanhei por algumas dessas experiências na primeira década do novo milênio. Sei de tantas outras, que acabaram por formar uma pessoa das mais engraçadas. O Klaus possuía muito senso de humor, apesar do jeito sisudo.
Recordo-me de quando fomos em grupo fazer uma caminhada ecológica, de Natal a João Pessoa, em 2003 ou 2004. No meio da caminhada, num final de tarde na Paraíba, deveríamos decidir em parar antes ou depois da “Terra Indígena Potiguara” (Baía da Traição), pois (se me lembro corretamente) não era permitida a permanência ali durante a noite. O sol estava se pondo serena e demoradamente, então resolvemos continuar, mas não esperávamos a terrível tempestade, que escureceu rapidamente o céu, com forte vento e chuva contra nós, faltando quatro quilômetros para chegarmos no fim da reserva e oito na próxima cidade. Foi terrível, mas o Klaus manteve a calma com muito senso de humor.
De repente, algo interrompeu a sua história. O professor Klaus foi encontrado falecido, na madrugada de domingo para segunda-feira (12 de setembro), vítima de um “acidente” com o seu carro. Mas eu não estou convencido de que as consequências do acidente que sofreu seriam suficientes para tirar a sua vida. As peças parecem não se encaixar como deveriam. A impunidade estimulada por quem menos espero (num sentido político), que se vangloria de não ser punido, e a violência atual, aliadas ao desrespeito flagrante de autoridades importantes em relação às instituições, são o que mais me assustam hoje, são a bomba que explode diariamente e ninguém quer ver, mas não são as únicas coisas (ou pessoas) que poderiam ter levado a sua vida.
O professor Klaus incentivou muitos estudantes da UFRN para que prestassem bolsas para estudar na Alemanha. Eu sou um desses. Ele incentivou o cinema alemão na cidade de Natal com as Mostras de Cinema Alemão da Cultura Alemã, no SESC. Ele incentivava as caminhadas ecológicas para recolher o lixo que indivíduos folgados jogam impunemente nas cidades e praias, pensando que são os seus quintais. Quem conheceu o Klaus sabe que, apesar da razão e da desrazão lutarem entre si no seu modo de viver, ele defendia a cidade, criticando sem medo principalmente à política local para as regiões do centro antigo de Natal. Ele desejava uma Ribeira revitalizada. A sua casa, na Princesa Isabel, a Cultura Alemã, era um centro de encontros, de brindes à vida, de amizade. Deixou muitos amigos. São muitos os que ligam hoje para a Cultura Alemã, reconhecendo o valor do Klaus em suas vidas.
Por isso tudo, o professor Klaus merece ficar na memória da cidade.
Por favor, divulgue essa mensagem, obrigado.
Augusto César Francisco
Ex-aluno do professor Klaus na Cultura Alemã
Graduação em Ciências Sociais (UFRN)
Mestrado em Ciências Sociais (UFRN)
Doutorando em Sociologia pela UNESP, com estágio
na Universidade de Bonn / Alemanha
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augusto eu concordo, fiquei muito triste do que aconteceu. Espero vc esta bem.
Jimmy (Andreas Münz)
Caramba! Como foi isso? Fui aluno de Klaus por 3 anos!
Deixo aqui minha profunda manifestação de tristeza dessa por essa morte…
Tive uns 3 meses de aulas intensivas com o Klaus, hoje vivo na Áustria por quase 4 anos, Natal perdeu uma pessoa chave na união de pessoas, línguas e culturas.
Abraço
Marco Antonio da Costa
É uma pena saber que O professor Klaus nao está mais entre nós.
Conheci.o pessoalmente, pois precisei dos seus trabalhos como tradutor, era uma pessoa muuito cheia de vida, sempre que acomtecia algo de novo na Ribeira, me enviava E-mails me informando dos acontecimentos .
Fico muito triste em saber que a impunidade no Brasil ainda é muito severa.
Meus sentimentos