Crítica da Domideologia

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Não homofobia!

Junho 3, 2009 · Deixe um comentário

Participe da campanha pela aprovação do Projeto de Lei – PLC 122 – que torna crime a homofobia no Brasil, divulgando o site Não Homofobia. Precisamos de voluntários/as para fazer uma grande onda viral na internet, principalmente no orkut.

1- Encaminhe para 10 amigos o site Não Homofobia e peça para que eles assinam o abaixo-assinado e divulguem para mais 10 amigos pedindo o mesmo;

2- No site existem 3 passos básicos super fáceis de realizar:

I- Preencha seu nome, email e RG ou CPF. O registro dessas informações será utilizado para comprovar e divulgar aos senadores o número de pessoas que são favoráveis a lei. Questão: Ahh mas eu não me sinto seguro em colocar meus dados de identidade… Resposta: O site possui um certificado de segurança, igual aos sites de bancos ou de compras na internet. O dados fornecidos são criptografados, evitando assim qualquer tipo de desvio das informações pessoais para outros fins que não sejam da campanha. Lembramos que um abaixo-assinado para ter valor real e jurídico precisa constar o registro de identidade da pessoa. Senão seria muito fácil, era só inventar um monte de nomes e e-mails e mandar;

II- Digite seu e-mail e depois do OK, acesse sua caixa de entrada de e-mail. Lá você encontrará uma mensagem enviada a partir do site. Basta clicar em “Responder para todos” (ou “Reply to All”) e os endereços dos 81 parlamentares que compõem o Senado Federal estarão no campo de destinatário, pronto para enviar o seu desejo pela aprovação da lei que criminaliza a homofobia no Brasil;

III- Multiplique as adesões. Indique para seus amigos/as!! Coloque o nome e e-mails deles/as e mande um convite para que eles/as também assinem o abaixo-assinado;

3- Crie comunidades no orkut e blogs para divulgar a campanha;

4- Poste comentários em Fóruns de comunidades que combatam a homofobia ou que sejam contra o preconceito divulgando o site Não Homofobia;

5- Seja criativo/a. Quaisquer idéias novas são super bem-vindas. Vamos colocar a mão na massa e trabalhar pela aprovação do PLC 122/06 e tornar crime a homofobia no Brasil.

Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT – Coordenação da Campanha Não Homofobia.

PARTICIPE – ACESSE – VOTE
Não Homofobia

Coordenador Geral – Cláudio Nascimento
Coordenador Técnico – Júlio Moreira – (21) 9318-0047
Assistente – Verônica Bairral (21) 8847.6926

GRUPO ARCO-ÍRIS
RUA MONTE ALEGRE, 167 – SANTA TERESA – RJ
TEL. (21) 2222.7286 / (21) 2215-0844

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Contra o amor e outros assuntos

Abril 27, 2009 · Deixe um comentário

Car@s,

Como dito anteriormente, falaremos sobre:

(a) a seleção de doutorado no Programa de Pós-Graduação de Sociologia da UNESP-FCLAR e a própria Universidade; e
(b) a nossa pesquisa sobre a domideologia de amor, com os seguintes pontos, os quais não serão abordados necessariamente de um modo completo:

- O que é ideologia?
- O que é dominação?
- O que é domideologia?
- O que é domideologia de amor?
- Por que criticar a domideologia de amor?
- Por que criticar a domideologia de amor move as posições conservadoras do senso comum, dos pares universitários e da psicanálise?

O ponto “(c)” é uma série de postagens nomeadas de Contra o amor?

Boas leituras e bons estudos,

Crítica da Domideologia

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Estamos de férias :-)

Novembro 29, 2008 · 2 Comentários

Nossas férias duram até o dia 18 de janeiro. Estamos providenciando o arquivo em PDF do nosso livro “O amor em mal-estar” para o Google Books. O atraso aconteceu devido às configurações do arquivo. Muito em breve aparecerá. Muito obrigad@.

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Aniversário de seis meses do nosso livro “O amor em mal-estar”

Novembro 15, 2008 · Deixe um comentário

No dia 15 de maio deste ano (2008), lançamos o nosso livro O amor em mal-estar: a insustentável leveza da domideologia na Casa das Rosas da cidade de São Paulo, um dos lugares mais bonitos para realizar uma cerimônia de lançamento. Eis a nossa fala na cerimônia:

Não é mero acaso o que conquistamos. Contamos com a colaboração de muitas pessoas, principalmente os nossos amigos, familiares e professores.

Nossos agradecimentos para:

A Casa das Rosas, a Associação Paulista dos Amigos da Arte e as maravilhosas pessoas que as mantém com o trabalho poético empolgante. A Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e o Governo do Estado de São Paulo, que são responsáveis pela iniciativa da Casa das Rosas.

Postal Verso

A UFRN e o CNPq, instituições que receberam e financiaram a pesquisa. O DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) pela bolsa Winterkurs, que me ajudou no alemão de Freud e permitiu visitas nos museus de Freud em Viena e em Londres.

A Booklink Publicações e o Editor Glauco de Oliveira, que ajudam os escritores que não querem se submeter a um mercado editorial desumano. Não era Voltaire que publicava os seus próprios livros (como muitos franceses da época)? Seriam aceitos em uma Editora Só Quero Dinheiro? Vejam (e contribuam com) a Coleção Diversidade da Booklink, organizada pelo teórico Solimar Oliveira Lima (Homossexualidades sem fronteiras 1 e 2, e Aids e seus desnudamentos)

Postal FrenteO Francisco Santinho, que foi o diagramador e artista do trabalho da capa e de toda a divulgação do lançamento. O Chico, como o chamamos carinhosamente, é um amigo e brilhante artista, produzindo as mais belas peças gráficas com uma sensibilidade inesgotável. É claro, ele faz também por prazer. Quem estiver interessad@ (interessada ou interessado, por isso o “@”) em capas de livros e outras artes, pode entrar em contato conosco pelo e-mail domideologia@gmail.com, que o repassamos para o Chico. O desenho com o qual o Chico trabalhou se chama Les amants (Os amantes), de autoria do Alberto Lamback, artista plástico de grande talento formado na escola francesa e estudando agora em Londres, e um amigo que acolheu o Augusto quando estava precisando.

A Cláudia da Costa Melo, revisora de português e uma amiga que também nos acolheu quando precisávamos. Se houver interessados em revisão, por favor, envie-nos um e-mail.

O professor Alípio de Sousa Filho – um brilhante teórico contemporâneo que pensa à luz do ano 68 na prática –, que sempre incentivou a produção autônoma e independente, e a professora Lore Fortes, excelente pesquisadora e uma amiga querida – ela me deu uma moedinha para dar sorte em uma viagem que fiz; essa moeda me ajuda até hoje, pois é uma significante parte da minha sorte e felicidade.

A professora Sônia Maluf, pelas excelentes aulas sobre o feminismo e sobre Judith Butler, que é uma referência importante da nossa pesquisa, e a professora Maria do Socorro de Oliveira, pela leitura e contribuição com a pesquisa; ainda, a professora Viviane Herbele, pela generosidade de ceder algumas referências para xerox, principalmente de Bourdieu.

Arlete Prade (mãe do Augusto), pela leitura do texto da dissertação, que virou livro. Obrigad@, querida.

Ana e seu companheiro Jack (irmã e cunhado do Augusto), que sempre nos acolhe para o que precisamos. Aos nossos familiares queridos, que são uns fofos e nos ajudam a crescer.

A Rosa Maria de Oliveira, uma amiga querida que enviou muitos textos. Ela está concluindo uma pesquisa belíssima, uma excelente contribuição para a ciência humana. Em breve, ela divulgará a sua pesquisa, a qual estamos ansiosos por ler.

A Nadja Paiva, pela sua ajuda com as referências de Freud.

O Bruno Merini, pela compra de livros lá dos EUA, que na época nem sabíamos como comprar.

As jornalistas Jô Laps e Carol Passos pelo incentivo.

A tod@s (todas e todos) que contribuíram indiretamente para a realização da nossa pesquisa, nossos profundos agradecimentos.

Sem vocês tod@s, não seria possível realizá-la e muito menos continuar vivendo.

Convite Eletrônico

Quem desejar ler outras informações sobre a nossa pesquisa, pode clicar no Aniversário de um ano da defesa de “O amor em mal-estar: a insustentável leveza da domideologia”.

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Um homem está grávido pela segunda vez e terá mais uma criança!

Novembro 13, 2008 · 1 Comentário

Foi noticiado hoje pela ABC (Barbara Walters Exclusive: Pregnant Man Expecting Second Child) que Thomas Beatie dará à luz uma segunda criança. Vejam o vídeo:

Trouxemos a reflexão sobre o fato que desestabiliza a “ordem do amor materno”, embora isso reforce paradoxalmente a “ordem da família”. Beatie será pai novamente, um pai grávido: “Eu usei meus órgãos reprodutivos femininos para tornar-me um pai”, diz ele. Veja aqui o nosso artigo anterior: Um homem estava grávido e deu à luz um filho. Há muita gente revoltada com Beatie: pessoas homofóbicas e misóginas, que não admitem que as suas crenças possam ser contestadas por outros fatos culturais. A verdade é que o real está “invadindo” a realidade, como diria o teórico Alípio de Sousa; e essa expansão da realidade social é contrariada pela ameaça da domideologia, que nos diz que as coisas sociais são naturais, divinas, eternas e universais. Pois aí está o fato que balança com a religião e com a moral (é, Presidente Lula e Papa Ratzinger, não adianta vocês virem com acordos religiosos – veja em globo.com! Enquanto vocês aderem ao conservadorismo, a dialética social mostra a sua cara. Não esqueçamos que o Vaticano é contra o uso de meios de contracepção e contra o casamento de parceiros do mesmo sexo – Thomas Beatie deve ser o Satanás para essa gente! Mas quem mesmo vendeu a alma para o diabo? – É, senhores, a República não se esquecerá)…

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INAUGURAÇÃO DO NOSSO BLOG: 14/11/2008

Novembro 4, 2008 · 2 Comentários

Laurisa Alves e Augusto César Francisco

Estamos muito felizes de poder dizer que o nosso blog Crítica da Domideologia será comemorado no dia 14 de novembro de 2008. É um tipo de inauguração, motivo para dizer e divulgar: ele está “no ar”. É muito gratificante ver o  nosso trabalho materializado em um blog, que aqui é um espaço crítico dos discursos da cultura e, principalmente, crítico das homofobias/misoginias/racismos.

Devemos brindar – escolhemos um lugar maravilhoso para comemorarmos! Tod@s estão convidad@s para comemorar conosco e com muita alegria no dia 14 de novembro, às 21h, no SESC Pompéia (São Paulo/SP), durante o Festival Mix Music, que é parte do Festival Mix Brasil de Cinema. É uma festa LGBT que alegrará a noite paulistana, e particularmente a nossa, na sexta-feira (14/11).

No Festival Mix Music, haverá a participação de Rita Ribeiro, Maria Alcina, a paraguaia Perla, Márvio (vocalista da banda Cabaret) e Tatá Aeroplano (vocalista do Cérebro Eletrônico), acompanhados por uma Big Band de músicos da cena independente nacional: Astronauta Pingüim nos teclados e direção musical, Alexandre Kanashiro (The Gasolines) na guitarra, Geórgia Branco (As Mercenárias e Wander Wildner) no baixo e Clayton Martim (Cidadão Instigado).

E no dia 15 de novembro, traremos um post especial para o blog, aguardem.

Muito obrigad@,

um beijo.

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Um homem estava grávido e teve um filho!

Novembro 4, 2008 · 7 Comentários

Augusto César Francisco

A imprensa mundial (Times1, Times2, Globo…) noticiou neste o ano o fato de Thomas Beatie (34 anos) estar grávido e de ter dado à luz uma criança nos EUA. Beatie nasceu uma “mulher” chamada Tracy Longodino e trocou legalmente de sexo, tendo se casado com Nancy, que não pode ter filhos devido à sua histerectomia (a remoção do útero por meio de cirurgia). Como tinham o desejo de ter filhos, Beatie, que apesar de ser legalmente “homem” tem os órgãos femininos capazes de gerar filhos, se responsabilizou por engravidar. Esse fato abre um precedente para a crítica da domideologia de amor, pois desarticula a ficção dominante de que o amor materno é o principal veículo entre a sociedade e o novo serzinho (que vem surgindo). Não é mais o amor materno que está em jogo; aqui, evidencia-se no discurso o “amor paterno”, com a justificativa de que “ter uma criança biológica não é nem um desejo masculino e nem feminino, mas um desejo humano”, segundo Beatie. A partir desse momento, o homem pode dar à luz, portanto.

O amor materno criticado nas ciências humanas do século XX e XXI pode desligar-se do gênero, finalmente, mas ainda não se desligou do “desejo humano”. Acreditamos que é muito interessante o fato que, por si só, já contesta criticamente as nossas crenças na nossa sociedade particular, que nos insta a acreditá-la como a sociedade universal. De fato, o amor materno deixa de ser acreditado como o universal, passando a ser particular em relação ao amor paterno, que agora pode reivindicar os “direitos naturais” da reprodução materna. Contudo, e apesar de serem particulares, esses amores (masculino e feminino em relação biológica com a reprodução) são considerados universais na nossa sociedade particular. Isso implica que onde não houver amor biológico na reprodução, não haverá também possibilidade social de viver. E um exemplo típico da nossa pesquisa esclarece que essa necessidade biológica, ou natural, do ser humano amar, não é tão natural assim; é, antes, uma imposição social. O conceito freudiano de desamparo é a prova incontestável de que se tenta aplicar em uma ontologia os efeitos discursivos do amor: a ontologia é a da criança que nasce desamparada para ser amada.

Parece-nos que desde 1932, pelo menos, com a publicação de Brave new world, da autoria de Aldous Huxley, existe a possibilidade discursiva do ser humano não necessitar mais dar à luz filhos. Na sociedade narrada por Huxley, as crianças eram geradas por máquinas do Estado, e este cuidava da educação dos cidadãos hierarquizados. Se há discursivamente a possibilidade de não ter filhos, há concomitantemente, no mínimo, um deslocamento das crenças nos corpos que geram filhos com amor. Por mais bestial que isso possa parecer – abjeto mesmo! -, é algo que a crítica deve levar em consideração se quer que as crenças movidas pela força simbólica da sociedade sejam desarticuladas. A construção de Huxley pode significar, portanto, que a nossa realidade particular de amor, no sentido mais biologicamente determinado, é uma construção social passível de ser contestada, para o malogro dos essencialismos biologizantes.

A conquista de Beatie é, sem dúvidas, coletiva, e agrega forças críticas para descontruir a domideologia do amor. É um primeiro passo para que, posteriormente - não se sabe quando! -, percebamos que a realidade social do amor foi apenas mais uma construção social investida de dominação e ideologia (que justificou muitos dos nossos assassinatos, machismos, ciúmes, invejas, homofobias, misoginias, racismos… violências religiosas, políticas, nacionais, enfim, todo o sectarismo de amor).

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Divulgação: 16. Festival de Cinema e Vídeo MixBrasil

Novembro 4, 2008 · Deixe um comentário

Fonte: Cine SESC SP

O que é estranho pra você?

O que é estranho para você?

O que é estranho para você?

Começa, no dia 12 de novembro em São Paulo, o 16º Festival de Cinema e Vídeo Mix Brasil, organizado pela Associação Cultural Mix Brasil, e depois segue em turnê para Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte até o dia 19 de dezembro.

O Festival traz mais uma vez obras que abordam temas relacionados à diversidade sexual. Criado em 1993, o Mix Brasil é o maior fórum de cinema GLBT da América Latina e uma das mais importantes vitrines para produções alternativas no Brasil. Nesse ano, o festival bateu seu recorde na seleção de filmes brasileiros. Ao todo, são 51 produções de todo o território nacional. Na Mostra Competitiva Brasil participam 20 curtas-metragens. Esses filmes serão avaliados por um júri internacional composto por programadores de festivais no Uruguai, Espanha, Israel, Brasil e Alemanha. O Panorama Internacional, seção do evento dedicada à exibição de novos longas-metragens que estão circulando em festivais internacionais de cinema e no circuito GLBT, apresenta, nessa edição, uma significativa seleção de documentários que tem como tema acontecimentos e personagens que contribuíram para a construção de um histórico da cultura gay.

Alguns destaques:
Bonecas (Pusinky, República Tcheca, 2007)
O Mundo Virou Lés (I Can´t Think Straight, Índia, 2007)
Love my Life (Japão, 2006)
Pelada com Véu (Football Undercover, Alemanha, 2008)

E no dia 14 de novembro, no SESC Pompéia acontece o Festival Mix Music, parte do festival MixBrasil de Cinema, com vários cantores, de gerações diferentes, para apresentar clássicos imortalizados da Música Popular Brasileira. Haverá  a  participação de Rita Ribeiro, Maria Alcina, a paraguaia Perla, Márvio (vocalista da banda Cabaret) e Tatá Aeroplano (vocalista do Cérebro Eletrônico), acompanhados por uma Big Band de músicos da cena independente nacional: Astronauta Pingüim nos teclados e direção musical, Alexandre Kanashiro (The Gasolines) na guitarra, Geórgia Branco (As Mercenárias e Wander Wildner) no baixo e Clayton Martim (Cidadão Instigado).

Em breve, a programação completa do festival estará disponível no site:
www.mixbrasil.org.br

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Aniversário de um ano da defesa de “O amor em mal-estar: a insustentável leveza da domideologia”

Outubro 30, 2008 · 3 Comentários

Augusto César Francisco

Apresento a minha reflexão sobre o aniversário de um ano da defesa da pesquisa intitulada O amor em mal-estar: a insustentável leveza da domideologia, intercalando os vídeos de sua comunicação, que está integralmente gravada em DVD. A pesquisa foi realizada no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PGCS) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoiada indiretamente pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD).

Há exatamente um ano atrás, em 30 de outubro de 2007, na UFRN, eu defendi escrita, oral, integral e publicamente a pesquisa sobre a domideologia no discurso freudiano sobre o amor. Foi um momento único e de extrema alegria, pois ficara para sempre inscrito o primeiro resultado do meu projeto intelectual, que se baseia no meu esforço científico e na colaboração dos meus professores e amigos que propõem a construção coletiva do conhecimento. Realizei uma exposição razoável das idéias que basearam a pesquisa e ocorreu tudo como imaginei. Para criticar a ideologia de algo que está religiosamente fixado na realidade social, como é o caso do amor, corre-se muito risco e colhe-se pouca simpatia. A minha sorte foi encontrar pessoas empáticas, que se colocam no meu lugar – não falo aqui do “meu” lugar e sim de uma posição coletiva. Essa empatia é justamente relativa ao lugar contra o qual os “eruditos” (hoje, partidários políticos) investem poder para suprimir qualquer “cabeça realmente eminente”, como disse Schopenhauer (A arte de escrever. Porto Alegre: L&PM, 2008, p. 28): “(…) na república dos eruditos, cada um procura promover a si próprio para conquistar algum reconhecimento, e a única coisa com que todos estão de acordo é em não deixar que desponte uma cabeça realmente eminente, quando ela tende a se destacar, pois tal coisa representaria um perigo para todos ao mesmo tempo”.

O meu projeto intelectual inaugurou-se no final de 2002 quando eu conheci o projeto intelectual do teórico Alípio de Sousa filho sobre a crítica da dominação e da ideologia culturais. Desde 1999, eu vinha de uma formação ao mesmo tempo sociológica e psicanalítica, mas algo me incomodava na psicanálise – era o discurso sobre o amor, principalmente o associado ao conceito de narcisismo. A proposta de Alípio de Sousa de uma crítica cultural dos discursos dominantes e ideológicos veio suprir uma lacuna que eu identificara em relação ao discurso sobre o amor da psicanálise. Em 2004, o meu projeto intelectual ficou consciente da ruptura epistemológica que já delineava a minha trajetória acadêmica, quando reli, por meio daquela proposta crítica, o conceito freudiano de desamparo. O conceito de desamparo em Freud quer dizer que a criança necessita de amor para sair de um suposto estado de desamparo infantil, única condição para que não pereça. Contudo, de acordo com a nossa leitura, esse desamparo não pode vir na coisa-em-si-do-infante, é antes uma imposição discursiva para que ela (a coisa-em-si-do-infante) possa emergir na (nossa) cultura (particular), uma imposição acompanhada do significante “amor”. O amor é, assim, o discurso dominante e ideológico para sujeitar o insurgente serzinho na nossa cultura particular.

Em 2007, defendi o projeto que é quase o sinônimo de minha vida. Trata-se de uma crítica do discurso domideológico sobre o amor que Freud incorpora nos seus conceitos psicanalíticos, em especial nos conceitos de falo, castração, narcisismo e complexo de Édipo. Essa incorporação de “amor” obedece a uma imposição cultural que materializa a psicanálise teórica e institucional até os nossos dias. Baseando-me em Alípio de Sousa, em Judith Butler, em Kaja Silverman, em Michel Foucault, em Pierre Bourdieu, em Eric Santner, em Ives Hendrick e no próprio Freud, pude realizar uma série de releituras científicas sobre o funcionamento da teoria e da instituição psicanalíticas – uma releitura sociológica e antropológica, é verdade. Essas releituras científicas importam aos interessados em uma ruptura epistemológica, por meio do pensamento daqueles autores supracitados, no seguinte sentido:

a) A dominação e a ideologia, embora sejam diferentes, são as responsáveis por um evento único: domi(nação e i)deologia na cultura; domideologia, portanto. Baseando-se na leitura de Karl Marx, que sustenta a dominação e a ideologia com uma funcionalidade recíproca necessária, mas construindo as suas teorias com o materialismo histórico, Alípio de Sousa formula a tese de que a dominação e a ideologia, com a mesma funcionalidade recíproca necessária, podem ser pensadas com o materialismo cultural. Daí decorre que a ruptura epistemológica proposta por Alípio de Sousa em relação a Karl Marx assume a noção de domideologia, que é a dominação e a ideologia trabalhando juntas para impor e naturalizar a cultura.

b) O amor é domideológico. Constatamos que o discurso sobre o amor é domideológico, ele se fundamenta nas mesmas premissas de realidade social imediata para naturalizar ideologicamente a dominação imposta pela cultura na emergência do sujeito.

c) O amor domideológico investe a teoria da psicanálise freudiana. Freud, desde os seus primeiros escritos positivistas até os derradeiros escritos londrinos, baseia-se no discurso sobre o amor para elaborar suas teorias sobre a sexualidade humana. Nessa elaboração teórica, ele fundamenta os conceitos com o discurso sobre o amor.

d) O amor domideológico investe a instituição psicanalítica. Por meio de práticas sociais, os sujeitos retornam o amor domideológico vindo da cultura na direção do outro. As seções de análise, as análises supervisionadas, as “transferências” analíticas, as “contratransferências”, os psicanalistas e os psicananlisandos, os mestres e os aprendizes, as conferências, as reuniões, os textos psicanalíticos, são todos investidos de amor, que é um significante domideológico. As engrenagens institucionais da psicanálise somente são possíveis porque existe o “amor”. E o amor ressoou sentido em 1914, quando Freud Publicou A história do movimento psicanalítico, delimitando o terreno institucional e teórico na órbita do amor. Do ponto de vista institucional, Freud definiu os seus limites políticos com o Amor que excluiu Adler e Jung do front psicanalítico; do ponto de vista teórico, limitou as suas definições teóricas com o Amor que ele incluiu definitivamente nos conceitos teóricos da psicanálise. Isso faz história até os dias de hoje por meio de outras escolas.

e) O amor domideológico é uma contratransferência. A transferência de cultura é o processo material pelo qual a ideologia naturaliza a dominação imposta para a hegemonia de uma cultura particular frente a outras culturas particulares. A contratransferência é o processo domideológico para que a transferência não seja contestada nos seus padrões hegemônicos de cultura. Não há uma fronteira nítida entre a transferência e a contratransferência porque não existe esse lugar psicanalítico de “saber”, e ele não é tão “suposto” quanto parece. É que mesmo com as ferramentas mais técnicas para conduzir a tradicional análise (freudiana ou freud-lacaniana), não existe garantia de que a contratransferência de domideologia não ocorra, e o “amor” é o nosso exemplo típico. O amor domideológico, que naturaliza a imposição de cultura, é perpetuado contratransferencialmente na tradicional “transferência” da psicanálise atual. Isso porque a psicanálise utiliza um discurso domideológico sobre o amor na composição teórica do conceito de transferência. O psicanalista acaba assumindo uma sujeição inconsciente que não deseja somente para si, deseja para o outro também.

f) O amor é uma pulsão de dominação. A “pulsão” freudiana é construída com o discurso sobre o amor domideológico e fundamentada por aquilo que Judith Butler entendeu por performatividade coagida a repetir. Reformulando esse discurso sobre o amor que está dentro da “pulsão”, constatamos que a pulsão na verdade é de dominação simbólica, no sentido de Bourdieu. A dominação simbólica obedece a uma performatividade que a materializa como necessidade humana, vital, social etc. A pulsão é essa coação a repetição da dominação simbólica, e o nosso objeto privilegiado é o amor. Dessa maneira, o amor é uma pulsão de dominação simbólica.

g) A “fonte” da pulsão é o sobre-eu. Freud sustentou em sua obra que a “fonte” da pulsão era o “isso” ou que ela vinha do inconsciente ou ainda simplesmente vinha (de um lugar desconhecido) inconscientemente. Criticamos essa posição de Freud por meio da análise crítica do amor segundo a proposta de Alípio de Sousa, com a dominação e a ideologia, e Judith Butler, com a coação à repetição e a performatividade, resultando na nossa noção de domideologia. A pulsão freudiana é construída com o discurso sobre o amor, que é um dos seus principais elementos (ao lado da repetição). Freud construiu uma pulsão antes do discurso – uma pulsão pré-discursiva –, constituída principalmente pelo amor. Em O mal-estar na cultura, isso é evidente, com a postulação de Freud de que existe um mandamento de supereu que ordena ao indivíduo que ame o seu próximo como a si mesmo. O mandamento “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” não pode vir antes da cultura que lhe impõe. E um “supereu cultural” justificado na base filogênica de que o assassinato do pai pelos filhos da horda primeira fora um ato que instaura o ódio e o amor pode ser contestado na medida em que se baseia nesse ódio e nesse amor para se instaurar; pode ser contestado, portanto, pela constatação de que não pode haver um ódio e um amor antes do ato que os cria na cultura.

h) Estamos falando, portanto, de uma epistemologia de ruptura com o dado imediato (a pulsão de dominação de amor, que vem do sobre-eu), a qual chamamos de Antropologia do Sobre-Eu para deixar claro que estamos filiados à proposta dos autores supracitados, principalmente Judith Butler e Alípio de Sousa, respectivamente com a teoria queer e a teoria construcionista crítica.

***

Recentemente, encontrei um artigo muito interessante de Jacques Bril intitulado Pour une anthropologie du surmoi, publicado em 1987 no número 6 da Revista Francesa de Psicanálise. Ele está autorizado à publicação em http://pagesperso-orange.fr/geza.roheim/html/briljac.htm. Embora a expressão “Antropologia do Supereu” haja pelo menos desde 1987, e Bril se esforça para lançar luz nas (muitas vezes esquecidas) fontes culturais e sociais da psicanálise, o nosso objetivo com a nossa Antropologia do Sobre-eu é completamente diferente. Não partimos da psicanálise para analisar a sociedade e a cultura. Partimos sim da antropologia e da sociologia para analisar a psicanálise teórica e institucional. E, complementando esta advertência, embora haja pelo menos uma vez a ocorrência da expressão “pulsão do supereu” no mundo da ciência, na página 31-32 do livro de Jacques-Alain Miller intitulado Biología lacaniana y acontecimento del cuerpo, de 2002, a nossa pulsão do sobre-eu se destaca por postular sistematicamente – ao contrário de Miller que apenas menciona a expressão “pulsão do supereu” sem sistematização – que a pulsão: a) tem por “fonte” o sobre-eu; e b) tem por “efeito” a dominação simbólica. Essa idéia de Miller é recuperada por Ana Maria Rudge no artigo Pulsão de morte como efeito de supereu, publicado no Agora: Estudos em Teoria Psicanalítica (jan./jun. de 2006), ligando a pulsão de morte ao supereu (como instância posterior ao isso e ao eu) – entende-se aqui que somente a pulsão de morte é uma pulsão do supereu e que a morte é quase uma mística natural da cultura. Para nós, ao contrário, ela é uma pulsão de dominação simbólica que advém performativamente da coação à repetição do sobre-eu, no sentido de formar um eu imaginário que desconhece a imposição de dominação graças à naturalização da ideologia, segredando esse processo domideológico ao isso, o espaço inconsciente. O sobre-eu é a “primeira instância” e as outras duas, o eu e o isso, lhe são paradoxalmente concomitantes. A pulsão emerge do sobre-eu para ser de dominação simbólica (de morte, de vida, de amor, de ódio, etc.).

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A favor do pedido de desculpas da campanha de Marta Suplicy

Outubro 18, 2008 · Deixe um comentário

UMA PRÁTICA HOMOFÓBICA NO PT
ou por que os movimentos LGBTs não se tornam autônomos (em relação aos partidos)?

Augusto César Francisco

Há poucos dias, a campanha do PT em São Paulo demonstrou seu preconceito homofóbico. A campanha da candidata Marta Suplicy - que é a maior responsável por sua propaganda política -, que advoga a não-sabedoria (“não sabia!”) tradicional dos governantes petistas e insiste em ser vítima, atacou o candidato Kassab de forma infame, interrogando a sua vida pessoal. Não interessa à campanha petista se o candidato é gay ou não, se é casado ou não, se tem ou quer ter filhos ou não. Não interessa “quem é Kassab”. Gostaria de ter um prefeito gay na minha cidade, e que lutasse pelo movimento LGBT para concretizar aquilo que já é um direito, a igualdade, mas que tem sido negada pela nossa tradição conservadora e religiosa, que se expressa na postura da campanha de Marta Suplicy. Além da homofobia, é de um péssimo gosto estético trazer publicamente “quem é fulano?”. É uma pena que a campanha de Kassab tenha assimilado o discurso da campanha petista afirmando que ela apela para a “baixaria” por “ciúme” e “inveja”. A acusação deveria ser COMETEU-SE UM PRECONCEITO GRAVE NA CAMPANHA DO PT, A HOMOFOBIA, que existe em muitas instituições (exército, família heterossexista, igreja…), nada mais. Uma conclusão simples e baseada nos fatos. Acusação que não é muito diferente do que veio internamente do comitê LGBT da campanha de Marta, que repudia a atitude da propaganda.

É humilhante o que o PT faz com o público LGBT, tornando-o manobrável, submetendo-o à uma lógica clientelista de relacionamento vertical – veja, no artigo abaixo, as palavras do Presidente Lula na I Conferência Nacional LGBT em que considera a luta “de vocês” que são “tão motivo de preconceitos”; ele deveria dizer “Enfrentarei o preconceito, vou governar sob a lei e fazer com que a igualdade chegue até a gente”. Compare as palavras do Presidente Lula com as do Presidente espanhol Zapatero. Relacionamento vertical porque o Presidente está alheio (“de vocês”) das reivindicações populares; clientelista porque está muito interessado no que essa relação trará de frutos eleitorais. Ele é muito esperto, fica em cima do muro em uma posição muito confortável. Quer unir hipocritamente os setores progressistas e os setores conservadores. Ou melhor: quer ganhar dos dois lados, movimentando um círculo vicioso. Nem luta decisivamente a favor do público LGBT, nem se mostra decisivamente a favor do status quo. Os dois lados (o progressista e o conservador) deveriam denunciá-lo de traidor para colocá-lo no verdadeiro lugar. A última do PT em São Paulo: procurando o apoio da Igreja – patético! Da candidata Marta Suplicy, essa história de DNA político de Kassab é insensata!

O que aconteceu não é novidade. Sem generalização, há petistas homofóbicos. Eu fui testemunha, por exemplo, da homofobia de dois petistas que são professores universitários em uma IES federal, quando minha amiga, orientanda de um deles, contou-me o porquê de tantas risadas (homofóbicas) vindas de piadas (homofóbicas) deles durante uma conferência em 2002, mostrando-se indignada. A minha indignação é ver tanta gente honesta, que tem história e luta pelos direitos LGBT, tendo que se subordinar aos ditames partidários petistas para engolir o sapo da campanha de Marta Suplicy – é uma humilhação! A maior prova da homofobia do conteúdo da campanha eleitoral do PT em São Paulo é o fato de que não houve nenhum pedido oficial de desculpas ao público LGBT. A campanha preferiu a artimanha e um pedido oficial de desculpas depois das eleições do segundo turno em São Paulo é INACEITÁVEL, não importa a biografia de Marta Suplicy! Se ela é honesta, que lute pelas desculpas antes das eleições, justificando que é mais importante a sua biografia do que o preconceito. O que está em primeiro plano, o PT com o ato de preconceito ou os movimentos LGBT?

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A luta contra a homofobia das instituições

Agosto 1, 2008 · Deixe um comentário

HOMOFOBIA NO EXÉRCITO

Alípio de Sousa Filho
- professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN
Editor da Revista Bagoas: estudos gays – gêneros e sexualidades

A matéria de capa da revista Época do domingo 1 de junho, com a história do casal Laci Araújo Marinho e Fernando Alcântara de Figueiredo, sargentos do Exército nacional – o primeiro é norteriograndense e o segundo é pernambucano –, relata o que é sabido: nas forças armadas de nossos diversos países, existem gays e lésbicas e estes podem ser tão bons e importantes profissionais como aqueles que se declaram heterossexuais (sim, os heterossexuais se declaram como tais a todo momento. Ninguém estranha, tornou-se natural: contam suas histórias de amor, beijam-se e andam de mãos dadas em público, aparecem em cenas de afeto e sexo em filmes, novelas etc. Toda a esfera pública é dominada por sua heterossexualização. É a dita normalidade!). A reportagem da revista revela também que os militares gays estão casados há mais de sete anos e que os dois se querem, amam-se. Mas a matéria revela igualmente, embora com poucos detalhes, a perseguição praticada contra os dois pelo comando do Exército, através da ação homofóbica de alguns de seus superiores no comando da 11ª Região Militar. Perseguição que inclui a prisão hoje, 4 de junho, do sargento Laci Araújo, após entrevista a programa de TV. Na saída do estúdio em que dava entrevista ao vivo, ao lado de seu companheiro, foi cercado por soldados do Exército com mandado de sua prisão.

Matérias que circulam na imprensa de Brasília dão conta que o sargento Laci Araújo é perseguido em razão de sua atividade como artista, pois, além de sargento do Exército nacional, ele fazia cover da cantora Cássia Eller em shows na capital federal. Seus shows tornaram-se sucesso. O fato irritou comandos que não aceitam ter no Exército um militar gay que se assume como tal e que desenvolve atividade artística imitando ícone da cultura gay. Os comandos do Exército (como, de resto, toda a sociedade) preferem a invisibilidade dos homossexuais. De fato, o que socialmente incomoda é a visibilidade da existência gay, a conquista e a afirmação de direitos, o reconhecimento social e político. Enquanto permanece no silêncio e na invisibilidade, a homossexualidade é admitida, embora cercada de preconceito.

O Ministério Público recebeu denúncia, oferecida pela mãe do sargento, que acusa o Exército de preconceito e discriminação. Conforme a imprensa, entre as provas apresentadas pela mãe, estão conversas gravadas em que um general homofóbico acusa o sargento Laci Araújo de ser um traidor, pois, segundo acredita o general, o Exército não pode ter em suas fileiras quem põe em dúvida a suposta masculinidade verde-oliva. Na mesma gravação, o general expressa seu desejo de castigar o sargento com sua prisão e transferi-lo para o Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que exprime seu desejo de separá-lo de seu companheiro, o sargento Fernando, transferindo-o para o Rio Grande do Sul. O caso está na Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal.

Toda a pressão psicológica sofrida pelo sargento Laci Araújo o adoeceu. Hoje, ele é portador de síndromes que certamente não deixam de ter relação com o sofrimento que experimenta. À repressão a que foi submetido no Exército some-se a angústia que guardou por muito tempo, produzida pela violência do silêncio a que gays e lésbicas são submetidos. O que, todavia, é mais perverso é a tentativa do preconceito de tornar controvertido um caso que nada tem de controverso. Temos aí um caso de perseguição por homossexualidade e todo o resto é pura desculpa homofóbica. O caso é claro: ódio contra aqueles que não se deixam tornar reféns do preconceito. Ódio contra aqueles que, felizes, não vivem sua sexualidade com culpa, vergonha, medo e alienação.

Não vamos deixar que nosso Laci Araújo torne-se um novo Genildo Ferreira de França, também soldado do Exército, que, em 1997, sob a pressão do preconceito por ser gay, matou 15 pessoas em São Gonçalo do Amarante, matando-se em seguida. Não vamos deixar que nosso bravo sargento Laci Araújo torne-se um novo Oscar Wilde, poeta e escritor, que, em 25 de maio de 1895, na Inglaterra, foi condenado a dois anos de prisão com trabalhos forçados pelo crime de amar um rapaz. Todos nós, homossexuais ou não, devemos combater o preconceito e suas atrocidades. Não há mais desculpas para ninguém ficar de fora desse combate. O Brasil não pode mais continuar admitindo violências como as que agora são submetidos os sargentos Laci Araújo e Fernando Alcântara. Condenações por homossexualidade nunca mais! O preconceito ignorante e a homofobia é que merecem condenação!

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Criticando a domideologia do cérebro homossexual!

Julho 31, 2008 · 2 Comentários

CÉREBROS (HOMOS)SEXUAIS: AS RESSONÂNCIAS DO PRECONCEITO

Alípio de Sousa Filho
- professor da UFRN. Editor da revista Bagoas.

TVs, jornais, internet divulgaram: na Suécia, cientistas encontraram as “provas mais sólidas até hoje de que a sexualidade não é uma opção, mas uma característica biológica”. Nos cérebros de homens e mulheres homossexuais, “descobriram” características próprias: o cérebro dos gays é igual ao das mulheres heterossexuais e o cérebro das lésbicas é igual ao dos homens heterossexuais. Estudos com ressonância magnética seriam a “prova”. A idéia de um cérebro gay ou lésbico não é nova. Simon Le Vay, especialista norte-americano em neuroanatomia e autor do livro The Sexual Brain, publicado em 1991, já propunha a tese.

A idéia do cérebro homossexual é vista por muitos gays e lésbicas como um argumento a favor de suas lutas de afirmação identitária e por direitos. Mas é preciso dizer que estes se enganam inteiramente. O argumento segundo o qual a descoberta de “aspectos biológicos” da homossexualidade favorece a gays e lésbicas contra o preconceito é simplesmente equivocado e reacionário. O que a idéia do cérebro gay (ou lésbico) visa barrar é a afirmação das diversas possibilidades do sexual (incluindo a heterossexualidade) como posições libidinais das escolhas do objeto de desejo do sujeito humano, ao mesmo título iguais entre si, nenhuma delas sendo natural, inata, biologicamente configurada.

Nas nossas sociedades, o que é insuportável para muitos é a concepção que a sexualidade é uma escolha, uma tomada de decisão, embora nem inteiramente consciente nem totalmente determinada. Nos sentidos com os quais estudos diversos (em antropologia, sociologia, história, psicanálise) têm afirmado, o desejo sexual é construído em percursos pessoais nos quais se misturam elementos variados, seguindo direcionamentos inconscientes e outros conscientes, e sempre cultural e historicamente situados, mas sempre uma escolha na economia dos prazeres. E por inconsciente não se devendo entender nada em sentido negativo. Da mesma forma, não se pode esquecer o que Michel Foucault apontou: a existência da sexualidade como uma essência dada, que os indivíduos seriam seus portadores, é invenção histórica que se inicia a partir do fim do século XVI em sociedades européias. Hoje, acreditando-se em superação do preconceito, fala-se em “orientação sexual”, como se a locução por si mesma fosse uma solução teórica e politicamente adequada. Não é, haja vista sua substancialização (psicologizante ou biologizante) crescente. Poderíamos simplesmente nomear a homossexualidade como uma variante da cultura sexual humana, como uma possibilidade do sexual, mas prefere-se achar que “orientação sexual” é conceito mais adequado (no fundo, por crença substancialista), esquecendo-se, mais uma vez, que se trata aí de captura do pensamento pelo discurso social-histórico.

Por efeito da longa história de colonização pelo preconceito anti-homossexual, que tornou a heterossexualidade uma evidência em si mesmo de sua natureza natural, pensar que existem causas específicas que produziriam a homossexualidade ou aspectos biológicos que a atestariam como inscrita na biologia dos indivíduos, mas ainda assim estigmatizada como um desvio, tornou-se uma idéia que freqüenta a cabeça de muitos. Mesmo às vezes no pensamento daqueles que se crêem sem preconceitos. No imaginário de nossas sociedades, quando não manifesto, permanece latente a crença que homens e mulheres homossexuais são pessoas que, no seu desenvolvimento sexual, carregam algo que merece ser explicado. Vista como realidade para cuja existência contribui uma causa específica, a homossexualidade é objeto das mais variadas especulações…

A procura por explicar os fenômenos humanos a partir de bases biológicas não é um fato de hoje na história da ciência. Todavia, a onda atual do determinismo biológico tem permitido retornar, com muita força, explicações biologizantes de fatos sociais e fenômenos culturais, com ampla aceitação e difusão pelas mídias. Temos sido bombardeados pela descrição de fenômenos tomados como desencadeados por “ações do cérebro”, à simples vista fenômenos que são reflexos ou reações fisiológicas provocadas por situações emocionais, subjetivas, sociais. Hoje, o uso das imagens feitas com ressonância magnética talvez seja o melhor exemplo dessa inversão. Não faz muito tempo, revista nacional de ampla circulação trouxe matéria sobre as “bases cerebrais” das atitudes de compradores compulsivos: são o nucleus accumbens, o córtex insular e o córtex pré-frontal médio que nos fazem comprar o carro da propaganda na TV, a camisa que está na vitrine ou o perfume que adoramos! No discurso do determinismo biológico, não há sociedade, propaganda, mercado, subjetividades… existem apenas a química dos hormônios e cérebros em atuação.

Simon Le Vay, estudando cérebros de cadáveres, com tecidos naturalmente modificados pela morte, afirmou ter encontrado uma diferença estrutural de tamanho nos hipotálamos de gays e lésbicas: nos homossexuais, seria de menor tamanho. Outro exemplo da extrapolação abusiva do biologismo cientificista é Gunther Dörner, que, trabalhando na Universidade Humboldt, em Berlim, e estudando cérebros de ratos, concluiu que a identidade de gênero dos bichinhos podia ser modificada, quando se interferia em partes de seu cérebro. Gunther Dörner partiu daí para fazer afirmações sobre fatores biológicos da homossexualidade humana… Para o determinismo biológico, ratos, cadáveres e ressonâncias servem para explicar aspectos da subjetividade humana, do desejo, das sexualidades, das construções de gênero.

Vale lembrar aqui as palavras da historiadora da psicanálise Elisabeth Roudinesco, que, a propósito da vaga biologizante atual, nomeou-a de “pretensão obscurantista”, denunciando esta por confundir “o pensamento com um neurônio” e “o desejo com uma secreção química”.

A idéia do cérebro homossexual converge ainda fortemente para o senso comum social que acredita que os gays são homens efeminados (mulheres em corpos de homens; homens com cabeça e anseios de mulheres), assim como acredita que as lésbicas são mulheres masculinizadas (homens em corpos de mulheres; mulheres com cabeça e anseios de homens). A idéia reforça a crença que gays e lésbicas seriam mesmo os “invertidos” de outrora: inversão que, agora, estaria comprovada: está inscrita nos seus cérebros. Uma tal especulação é certamente útil ao alívio de conservadores e preconceituosos que não admitem que cada um possa decidir o que fazer com seu próprio corpo e por seu desejo. Determinados pela natureza de seus cérebros, provado que “são” homossexuais não por escolha, gays e lésbicas passariam a ser perdoados de seus vícios, pecados, anomalias etc. Até que cheguem aqueles que irão sugerir cirurgias reparadoras da “inversão cerebral”. Engano pensar que a conclusão que o preconceito formulará será outra.

O argumento da natureza despolitiza a reflexão sobre gênero e sexualidade e atrela direitos a serem conquistados pela mudança de mentalidade da sociedade ao obscurantismo do apelo ao biológico. O que a mentalidade conservadora e o preconceito não suportam é simplesmente a idéia da liberdade.
É fato que muitos LGBTTs flertam com as teses de um substancialismo (ou essencialismo) naturalista, sem que tenham consciência da despolitização que a posição representa. Muitos também não suportam (emocional e politicamente) a idéia da escolha. Ao que parece, enxergam nas suas próprias vivências da homossexualidade algo que somente se torna suportável se forem representadas como destino inevitável ou dádiva da natureza. A homossexualidade seria para alguns destes experienciada como peso, fardo, culpa, que somente se tornaria possível aceitar se encarada como uma realidade com a qual já se nasce e que se passa a ser portador, como se porta a cor dos olhos (não seria esta a fonte do discurso da “inclusão social” do segmento LGBTT em políticas públicas? Inclusão social como se fala disso para os chamados “portadores de necessidades especiais”?). Deixando de entender que o caráter transgressivo ou subversivo das homossexualidades está no fato mesmo destas escolhas divergirem da heteronormatividade, escolhas que se tornam alternativas à (ideologia da) heterossexualidade obrigatória, no direito de cada um em se inventar a si mesmo no corpo e na alma, muitos gays, lésbicas, travestis e transexuais renderam-se ao argumento da natureza. Definitivamente, não nascemos gays, lésbicas, travestis, heterossexuais ou o que quer que seja, somos socialmente fabricados, assim como nos inventamos, quanto ao gênero e quanto à sexualidade. Inventamo-nos!

Como, para a mentalidade conservadora e para o preconceito, as homossexualidades são vistas como anomalias, perturbações do desenvolvimento sexual suposto normal, não se pode pretender admiti-las e institucionalizá-las, como reivindicam os movimentos LGBTTs nos diversos países, se não forem enquadradas como coisas inscritas na natureza biológica dos indivíduos. O segredo é: visto que nossas sociedades não conseguem mais barrar as conquistas que se obtém continuamente, a única possibilidade que o preconceito enxerga de reconhecer como legítimas as reivindicações LGBTTs é tornando biológicos o desejo e a diversidade sexual. Do contrário, Estados e sociedades estariam legitimando o que, sendo escolha, preferência, opção, desejo, seria vício, sem-vergonhice, safadeza, pecado. Na moral dominante, não se pode admitir institucionalizar o que seriam caprichos da “falta de vergonha” de gente que escolhe ser diferente, que escolhe divergir da norma social. Assim, o próprio preconceito inventou sua saída: eles querem institucionalizar direitos, mas terão que admitir que a existência de homossexuais não se deve ao desejo, à (liberdade de) escolha, a preferências, mas a fatores biológicos, genéticos, anatômicos, fisiológicos.

Contra as armadilhas do preconceito, contra as naturalizações e reificações perigosas, é preciso opor-se com coragem intelectual e decisão política!

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